Política

22/06/2013 23:05 Jornal Diario Regional

Dilma fala em pacto por melhor serviço público

Depois de três dias de silêncio, a presidente Dilma Rousseff disse em cadeia nacional de rádio e TV, na noite de ontem (21), que vai conversar nos próximos dias com chefes de outros Poderes, governadores e prefeitos das principais cidades do país, a fim de realizar um grande pacto em torno da melhora dos serviços públicos.

De acordo com o pronunciamento, a proposta de Dilma terá três eixos. O primeiro terá como foco a elaboração do Plano Nacional de Mobilidade Urbana, a fim de privilegiar o transporte coletivo. O segundo, a destinação de 100% dos recursos do petróleo para a educação. E o terceiro, trazer, de imediato, milhares de médicos do exterior para ampliar o atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Dilma disse que vai receber os líderes das manifestações pacíficas, os representantes das organizações de jovens, das entidades sindicais, dos movimentos de trabalhadores e de associações populares. “Precisamos de suas contribuições, reflexões e experiências. De sua energia e criatividade, de sua aposta no futuro e de sua capacidade de questionar erros do passado e do presente”, declarou.

Velho sistema

No discurso, a presidente afirmou que é preciso “oxigenar o nosso velho sistema político” e encontrar meios que tornem as instituições “mais transparentes, mais resistentes aos malfeitos e, acima de tudo, mais permeáveis à influência da sociedade”. “É a cidadania, e não o poder econômico, quem deve ser ouvido em primeiro lugar.”

Sem dar detalhes, Dilma disse que quer contribuir para a construção de uma “ampla e profunda” reforma política, a fim de aumentar a participação popular. E, numa resposta às críticas contra as agremiações partidárias, disse que é “equívoco” achar que qualquer país possa “prescindir de partidos e, sobretudo, do voto popular, base de qualquer processo democrático”.

A presidente destacou que é preciso “muito, mas muito mesmo” de formas mais claras de combate à corrupção e defendeu a ampliação da Lei de Acesso à Informação, proposta sancionada em seu governo, para os demais poderes da República e as instâncias federativas. “Ela é um poderoso instrumento do cidadão para fiscalizar o uso correto do dinheiro público”, observou. “Aliás, a melhor forma de combater a corrupção é com transparência e rigor.”

Copa do Mundo

A presidente disse que, quanto à Copa de 2014, o dinheiro gasto pelo governo federal com as arenas onde os jogos serão realizados é fruto de “financiamento que será devidamente pago pelas empresas e os governos que estão explorando estes estádios”. “Jamais permitiria que esses recursos saíssem do orçamento público federal, prejudicando setores prioritários como a saúde e a educação.”

Dilma disse que sua gestão ampliou “bastante” os gastos com saúde e educação, e vai elevar “cada vez mais”. A presidente disse confiar que o Congresso aprove o projeto do governo para que todos os royalties do petróleo sejam gastos exclusivamente com a educação.

Dilma afirmou que não pode deixar de comentar uma característica da alma do brasileiro e do nosso jeito de ser. Após mencionar o pentacampeonato no futebol, a presidente disse que o país sempre foi “muito bem” recebido em toda parte. “Precisamos dar aos nossos povos irmãos a mesma acolhida generosa que recebemos deles. Respeito, carinho e alegria. É assim que devemos tratar os nossos hóspedes.”

Ao encerrar, Dilma repetiu que o governo “está ouvindo as vozes democráticas que pedem mudança”. “Quero dizer a vocês que foram, pacificamente, às ruas: eu estou ouvindo vocês!”, disse, mas fez uma admoestação. “E não vou transigir com a violência e a arruaça.”

O que disse a presidente

"É preciso oxigenar o nosso velho sistema político e encontrar meios que tornem as instituições mais transparentes".

"Quero contribuir para a construção de uma ampla e profunda reforma política, a fim de aumentar a participação popular"

"É equívoco achar que qualquer país possa prescindir de partidos e, sobretudo, do voto popular, base de qualquer processo democrático"

"Quero dizer a vocês que foram, pacificamente, às ruas: eu estou ouvindo vocês"


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